quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ray Ban...

Porque a vida continua também não paro, sol a sol sigo em direção as coisas que preciso viver.

Porque a vida continua vou algumas vezes só, outras trago alguém comigo, nem que seja apenas no coração e nas lembranças.

Porque a vida continua, vivo, luto e envelheço, penso no contexto e contesto muitas estradas que percorri, caminhos que não me levaram a nada, mas eram lindos de se ver.

Porque a vida continua podo as árvores e flores do jardim... planto sementes novas e espero germinar.

Porque  a vida continua não há um dia em que eu não pense em você, sinto falta, saudade, choro sozinha... pra disfarçar e esconder meus olhos, coloco um óculos escuro (fico bem de Ray Ban aviador).

Porque a vida continua escrevo e te procuro, mesmo sabendo que provavelmente nunca mais vou te encontrar.

É a vida, e ela sempre continua.

domingo, 15 de julho de 2012

O gigante

Ontem eles pararam para relembrar o amor que os uniu... pedaços de uma linda história que foi guardada em pequenas fitas, dessas para gravador portátil, tudo numa narrativa doce, num tom de felicidade quase boba, era tempo  de descoberta.

Pedacinhos de dois que quase se perderam durante o tempo, músicas cantadas por duas pessoas apaixonadas, poemas lidos, vidas se entrelaçando sem nenhuma certeza de futuro. Aliás, o que importava era o presente, os arrepios, a saudade, os beijos que se encaixaram logo na primeira vez, os corpos que se reconheceram, o cheiro que os faziam sonhar, o riso largo quando estavam juntos, os olhares tagarelas... o que importava era que de uma maneira tão improvável, a vida os uniu e a felicidade os havia encontrado.

Quase nove anos se passaram, eles estão mais velhos, o amor também amadureceu. É fato que por duas vezes adoeceu, quase se perdeu, mas como sempre foi verdadeiro e forte demais, eles  cuidaram dele e hoje está saudável, cresce um pouco a cada dia, já é quase um gigante... e quem tem um amor que se torna gigante, não pode ser infeliz. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Quando eu for apenas um

Se um dia nossa música parar e nosso livro se fechar... se eu não puder ouvir mais a melodia, nem nossas histórias antes de dormir.

Se a vida calar nossas gargalhadas, aquelas que soltamos quando falamos coisas bobas, quando fazemos piadas que ninguém mais no mundo, além de nós, acharia graça.

Se não houver caneta, nem tijolo ou carvão, para te escrever no chão que te amo, ou para te surpreender com um bilhete no espelho do banheiro... neste dia, não haverá mais felicidade.

Neste dia aposento minha câmera, guardo os meus sonhos e empacoto os meus desejos.

Neste dia, depois de não haver mais você, tudo perderá o sentido... não haverá ar, nem coração, nem mente sã, nem palavras capazes de me fazer ficar.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Dor e saudade...



Tudo ainda está muito confuso, a dor da perda é tão grande que me perco nela… seu cheiro continua na camisa do palmeiras que escolhi ontem (em meio as roupas empacotadas), para ficar comigo. Sua voz ressoa em meus ouvidos, o seu jeito de falar bravo e resmungão  ainda conseguem me tirar sorrisos de canto de boca quando me lembro.

Fiz o que pude, tentei amenizar sua dor como consegui, corri para atender a todos os seus pedidos, comprei Yakult e dois sorvetes de limão, um deles pedido já na UTI, sua última vontade… nunca mais um sorvete de limão terá o mesmo significado nem o mesmo sabor pra mim, nunca mais tio…

Não sei explicar e nem imaginar o que será sua ausência em minha vida, não sei como viver sem seu sorriso, estou tomando coragem para assistir ao dvd de formatura em que foi meu padrinho, quem sabe consigo amenizar a saudade.

Não sei como guardar o seu cheiro comigo, me desespero e peço a Deus que ele se perpetue na camisa de futebol para me ajudar com a saudade, mas não sei se vai acontecer… 

Não sei o que vai ser da minha vida sem seu colo, sem seus apertões no meu nariz, não sei de tanta coisa com a sua ausência tio…

Não sei como preencher o vazio no peito, meus olhos não desincham, minha cabeça não para… nunca mais ganhar seus abraços, nunca mais me sentir protegida e acolhida por vc, perder meu paizinho, o cara que me deu tanto amor não está sendo fácil… ai ai.

Agora sou apenas dor, saudade e medo… mas amanhã é outro dia.

O que me conforta é que tive tempo de me despedir,  te dizer tudo o que vc significa em minha vida, falar do amor que sinto e do quanto te agradeço.

Quando seus colegas de trabalho chegaram até mim no velório, perguntando se eu era a Cynthia, sobrinha que vc falava tanto e com tanto carinho, naquele momento tive a certeza de que consegui te dar um pouquinho do amor que recebi.

Te amo meu tio, meu pai... fica tranquilo que vou cuidar junto com a Li da nossa família.

sábado, 28 de abril de 2012

O que me faz feliz...

Sempre que tenho meus momentos de imersão, de repensar a vida e reviver cada aprendizado, penso no quanto mudei. Antes de me deparar com o problema sério de saúde que tive, eu vivia diferente, eu encarava as coisas e as pessoas de uma forma diferente, não conseguia receber, muito menos depender de ninguém para nada. Não dava o valor merecido aos gestos de carinho que recebia, tratava tudo de maneira muito racional e como se gestos de carinho fossem uma coisa normal e esperada quando direcionados a mim.

Isso tudo foi se transformando com o decorrer do tratamento, foi mudando com a necessidade que eu sentia de um olhar, de um carinho, com o valor e significado de uma mão segurando a minha, com os sorrisos que recebi, ao ver o empenho das pessoas que gostam de mim em me fazer o bem e não me deixar sozinha... sim, eu fui cuidada como poucos conseguem ser.

Minhas prioridades também mudaram, hoje olho a minha volta, enxergo quem está ao meu lado, e procuro olhar nos olhos das pessoas com quem converso. Sempre que posso paro para assistir o por do sol aqui da janela de casa, tento ajudar quem precisa de mim, procuro não guardar mais nada de ruim aqui dentro e busco a felicidade.

De nada adiantou viver uma vida egoísta, o aprendizado veio depois dos trinta anos de idade... claro que dinheiro é importante, mas hoje, em meu mundo, mais importante do que o dinheiro é o amor.

Acho que por isso a fotografia deu tão certo pra mim... mente, olhos e coração, eternizar momentos e registrar sonhos se realizando ali, bem diante dos meus olhos. Sim, eu tenho o melhor trabalho do mundo!

Quando partimos a única coisa que fica é a nossa história... a palavra dita e as lembranças das pessoas é que nos farão permanecer vivos mesmo depois de mortos. Eu permanecerei viva também nas fotos que tirei, nos trabalhos que entreguei... meu olhar estará por ai para quem quiser me ver e ter um pouco mais por perto.

Recomeçar a escrever o livro da minha vida com uma nova narrativa, com mais figuras em suas páginas, ilustrando e apresentando todas as pessoas importantes, dando crédito a quem merece, colorindo e criando uma capa bem bonita e principalmente, hoje, sabendo que minha história eu não faço sozinha, isso sim me faz feliz.



quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Há em tudo que fazemos
Uma razão singular:
É que não é o que queremos.
Faz-se porque nós vivemos,
E viver é não pensar.

Se alguém pensasse na vida,
Morria de pensamento.

Por isso a vida vivida
É essa coisa esquecida
Entre um momento e um momento.

Mas nada importa que o seja
Ou que até deixe de o ser.
Mal é que a moral nos reja,
Bom é que ninguém nos veja;
Entre isso fica viver."

Fernando Pessoa (o homem da minha vida *__*)
15.09.1933

quinta-feira, 5 de abril de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Fim do dia...

Lençol. Pele. Insônia. Respiração. Silêncio. Escuridão.

Uma parte do todo.

Boca. Desejo. Inquietude. Frustração!

Entre minhas pernas apenas um travesseiro.

Braços fortes para carregar minhas vontades.

Mente sã para alimentar as lembranças.

Corpo lúcido para sentir o peso de nada nem ninguém.

Fim do dia.

Hora de se desligar de tudo e tentar dormir.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A falta que você me faz...

E quando sinto o calor do sol batendo em minha pele, me lembro de você... é só fechar os olhos para tudo estar ali diante de mim. O som das nossas risadas, as brincadeiras quase infantis, o jeito tão particular de falarmos da vida deitados na cama, os segredos confidenciados, o desejo em fazer suas vontades, as surpresas de cada dia, a torta de limão mais deliciosa... tudo está de volta, tudo que nunca se foi.

E quando sinto frio, daqueles capazes de arrepiar a pele, também me lembro de você... das suas mãos geladas tentando se aquecer em meu corpo quente, do seu cheiro no travesseiro, de como você fica lindo no inverno com a ponta do nariz vermelha, do seu sorriso, do romantismo raro, das noites de insônia mais proveitosas de minha vida, que passei te vendo dormir.

E assim passo pelas estações, sentindo calor, sentindo frio, não sentindo nada além da falta que você me faz.

Escrito ao som Monique Kessous - Frio