quinta-feira, 6 de junho de 2013

Farta de mar...

A solidão tem mordido meu calcanhar, o egoísmo arrancou meu coração, minhas questões em meio ao silêncio tem feito rebuliço em minha mente.

Minha visão já não alcança o futuro, o presente vive ausente e meu corpo não reage a falta de tudo que não fui.

Está acabando, sinto minha alma deixando meu corpo, ouço choros, mas não vejo nada. Tudo está escuro e gelado, é denso, molhado, não pode ser céu, talvez seja inferno, mas sem fogo? Sim, sem fogo, não há calor, não há vida, não há chance, nem medo de me queimar.

Falta de ar, farta de mar, chega de navegar em águas desconhecidas... estou perdendo os sentidos, na verdade percebo que há tempos não há sentido algum.

Meu corpo submerso no não ser, procuro sua mão e mais uma vez sou mordida pela solidão, feroz e implacável.

Enfim, morri de tanto querer.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Sobre o tempo e a saudade...

Um ano se passou... esta dor é tão minha que sequer estou conseguindo colocá-la no papel.

Se eu ficar doente não terei mais o seu colo, se eu tiver medo não posso mais me abrigar em seus braços... acabou minha proteção, a mão estendida, o olhar aflito em resolver meus problemas comigo.

Confesso que tenho fugido de alguns medos, pois sei que você não estará mais aqui ao meu lado para me ajudar a superar.

Por mais que eu escreva ou grite que te amo, não vai mais adiantar, acabou... ainda ouço sua voz e suas risadas, mas até seu cheiro já saiu das roupas que peguei para guardar comigo.

Hoje o dia está difícil, pesado, triste e vazio.
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As horas não passam, estou contando os minutos para finalmente poder voltar para casa e me esconder debaixo das cobertas, apagar as luzes e ficar com meu silêncio.

Não sobrou nada além das lembranças e do calendário, no qual conto os dias que sigo minha vida sem você.

A dor pode fazer a vida parar, mas não o tempo... ele segue, veloz e implacável.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Defeito de fabricação...

Um bem que faz mal, um mal que traz segurança e me parece tão necessário... mas há mal necessário?

Mudança improvável, esperança sem forças, confusão, olhos inchados, cabeça tonta, coração perdido, mente estagnada, defeito de fabricação... medo da perda, necessidade de ser e fazer feliz.

Saudade adiantada, certezas incertas, amor capaz de agredir pelo simples prazer de ferir.

Arrependimento, angústia, lágrimas entre bocas e línguas... posse.

Sentimento desmedido, sem controle, sem juízo... onde tudo é permitido, inclusive o adeus que quer ficar.

terça-feira, 19 de março de 2013

De ponta cabeça...

Aprendi que entregar meu amor, meu coração e meu melhor sorriso, não basta... é muito poético, verdade, mas há outras coisas importantes que necessitam ser entregues numa relação.

Aprendi que ter confiança em quem amamos é essencial. A possibilidade de ser ouvida e depois ganhar colo é muito boa, mas melhor ainda é saber escutar, saber dar colo e não julgar... até porque, julgamentos não cabem em nós.

Você chegou e virou minha vida de ponta cabeça, sabia? Se me contassem, eu jamais acreditaria... e como é boa a visão da vida quando olhamos para ela de ponta cabeça, é mais divertida!

Sair da mesmice, fugir do considerado “normal” pela sociedade... andar por aí, esbanjando alegria, voltar a ser criança quando der na telha, fazer brincadeiras quase infantis, desfilar pelas ruas de mãos dadas, sabendo quem somos.

Amor de filme, amor cúmplice, amor em aprendizado e evolução... esse é o nosso amor.

terça-feira, 12 de março de 2013

Hoje não é dia de poesia...

Você engole sapos, lagartos, lagartixas e até elefantes, então respira... briga, defende, explica, fala, repete, anda na corda bamba, é puxada de um lado para o outro. Tudo isso para tentar mostrar o valor e manter pessoas importantes em sua vida, cada uma em seu lugar.


Diz que ama, dá provas deste amor, abre os braços e o coração todos os dias, mas nunca é suficiente, nunca basta, sempre é necessário mais e mais. É necessário ser duas, três, quatro, se der pra ser cinco, melhor ainda!  Assim todos ficam felizes, ninguém escuta um não e todos são atendidos.


Mas como ninguém é de ferro e paciência tem limite, uma hora será inevitável, alguém vai ficar na mão. Afinal, você não é uma maquina e muito menos mediadora de conflitos... principalmente se está no meio destes conflitos.


Como qualquer pessoa, você também precisa de reconhecimento, seja para que uma doença não volte, seja num momento difícil ou num segundo de carência, a vontade é de dizer: “oi, eu existo, também sinto, também tenho vontades, sofro, amo, odeio, erro... tudo igual a você.”


Então, quando você faz valer as suas vontades, aquela boa menina, doce e de bom coração, vira a vilã, a ingrata, a egocêntrica, a insensível, a amiga que abandona, a mulher que não respeita... e assim são as pessoas, mostram seu lado mais obscuro quando escutam um não, quando seu ego é ferido, quando o orgulho e a vaidade saltam aos olhos, quando as coisas não saem como planejaram.


Pessoas lindas, donas de corações bondosos e de uma meiguice impar, capazes de ajudar quem quer que seja, se transformam em monstros, jogam tudo que fizeram na sua cara, faltam com respeito e se transformam em alguém que você nunca viu na vida.


Caro leitor, esse é o momento de mandar tudo para a pqp e cair fora... sem versos, nem prosa, muito menos peosia.

sábado, 9 de março de 2013

"Tristeza não é pecado..."


O barulho da chuva desvia minha atenção por alguns minutos, olho pela janela, mas logo volto a pensar… tem horas que nem eu consigo me entender. 

Gostaria de respostas objetivas, sem filosofias baratas, nem devaneios, apenas respostas simples, que me façam descobrir qual o melhor caminho a seguir. Se é que há o melhor caminho.

As certezas que eu deveria ter não passam de meras possibilidades, sinto o meu direito de ir e vir, cerceado. 

Cerceado, será? Se sim, por falta de caminho ou pelo medo da escolha? Medo? Escolha?

Um dia, com a certeza de uma adolescente boba, eu disse que se no futuro me faltassem caminhos eu os criaria! Balela… nenhum caminho é criado assim, como num passe de mágica, não existe vara de condão e nem livros capazes de te arrancar da realidade para sempre… a volta é inevitável.

Não quero permitir que minhas dúvidas me parem, nem que minhas incertezas e limitações me arranquem a vontade de tentar… eu quero tentar, mas confesso que estou cansada.

Um cansaço tão grande que tenho perdido a hora… hora de fazer acontecer.

"O presente não devolve o troco do passado
Sofrimento não é amargura
Tristeza não é pecado
Lugar de ser feliz não é supermercado"
(Zeca Baleiro)

sexta-feira, 1 de março de 2013

O tic tac da partida...

Os dias vão escorrendo rapidamente pelo ralo da vida, as horas escapam entre os dedos, sonhos são esquecidos pelo caminho e inevitavelmente chega a hora de partir.

Mas falar de partida é mais complexo do que se pensa. Partir pode significar a mudança de um lugar para outro, mas pode também ser o fim de um ciclo, em vida ou não.

Pessoas partem querendo ficar, outras vão com sorriso no rosto. Há quem se despeça da vida em meio a dor e sofrimento, outros nem percebem que já não são... mas muitos ainda são e já partiram, estes habitam a matéria, mas não souberam como segurar sua alma.

É muito mais difícil seguir quando nos perdemos em nós, do que quando nos perdemos no outro... porque sempre que envolve um outro, causa dor, foge de nossas mãos, não há controle, nem perspectivas.

O tempo é impiedoso, se você para, ele continua... se você corre, pode perder o compasso.

Tic tac tic tac tic tac...