domingo, 24 de outubro de 2010

Reencontro

Uma escolha errada pesava no coração da menina. Logo ela, que sempre procurou fazer tudo certo e ser motivo de orgulho para sua família, havia tropeçado na linha da vida.

Durante algum tempo ela chorou sozinha, lamentava todos os dias, mas preferiu esconder seu erro para não entristecer seus pais. Eles acreditavam nela, confiavam na educação que recebeu e estavam certos em pensar assim. Seu erro nada teve haver com ausência de educação, caráter ou algo do tipo, ela apenas o cometeu por insegurança e imaturidade.

A menina tentava esconder a tristeza e engolir o choro sempre que ele insistia em visitar seu rosto. O nariz ficava vermelho, mas ela continuava risonha e encantadora. Porém, o brilho dos seus olhos já não eram mais o mesmo, algo havia se apagado ali, eles que sempre foram doces refletiam um coração pesado.

Ela sempre teve diferenças com seu pai, as diferenças eram proporcionais ao amor entre eles. Ele era um cara durão, que lutou e conquistou seu espaço no mundo, durante a vida como todo ser humano, ele também fez algumas escolhas erradas. As escolhas e suas consequências acabaram afastando os dois.

Mesmo com medo de decepcioná-lo, ela abriu seu coração, sentada num canto do sofá, toda encolhida, receosa e envergonhada, contou sobre a péssima escolha que havia feito. Ele a ouviu sério... pensou, lamentou e, em momento algum foi capaz de culpá-la. Ela respirou...

Aquele pai que um dia deixou de ser herói para ser um desconhecido, havia voltado. Havia olhado pra ela de um jeito que há muito tempo não fazia. Ele não era mais um desconhecido, era o seu pai, que em seus braços fez segredos dos medos da menina.

Hoje quando olhei para a menina, percebi que as coisas ainda não estavam fáceis, mas aquele brilho no olhar estava de volta. Ela perdeu algumas coisas, mas reencontrou seu pai, aquele homem que ela tem tanta necessidade de amar.

Um comentário:

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